09
Agosto
2017
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Clara Schumann - O Filme

Clara Schumann - O Filme


Criado: 09 Agosto 2017 | Atualizado: 09 Agosto 2017
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Direção: Helma Sanders - Brahms
Comentários de Mauro Bilharinho Naves

Clara Josephine Wieck nasceu em 13 de setembro de 1819 em Leipzig –Saxônia – Alemanha e faleceu em 20 de maio de 1896 em Frankfurt.

Pianista e compositora, desde jovem, aprendeu a tocar piano com seu pai FriedrichWieck, o qual ficou com a sua guarda após o divórcio. Sua mãe, Marianne, era musicista e concertista. Clara tinha quatro anos quando os pais se divorciaram.Aos sete anos iniciou suas lições de piano com o pai e aos catorze apresentou sua primeira composição.As aulas ocorriam em sua própria casa e foi ali mesmo que viria a conhecer Robert Schumann.

A partir dos treze anos,como pianista,Clara fez uma carreira brilhante na Europa.

Clara e Robert Schumann ficam apaixonados, mas ao pedir sua mão ao professor Wieck, este torna-seseu inimigo mortal, pois, talvez, quisesse um partido que julgava melhor para a filha. Os dois começam uma batalha judicial para se casar. Wieck manda Clara para uma turnê pela Europa e foram proibidos de se encontrar e de se corresponder. Wieck acusa Robert Schumann de alcoolismo, difama-o e acusa-o de várias maneiras. Apenas quando Clara completa 21 anos, tornando-se maior de idade, eles conseguem se casar.

De início o casal tem uma convivência amorosae harmoniosa.Os dois mantêm um diário em comum, fato único na história da música. Suas cartas transbordam esse amor:¨Meu coração transborda de amor e veneração por Robert e de gratidão ao céu pela infinita felicidade que me proporciona (...) não é verdade que sou a mulher mais feliz da Terra? diz Clara. ¨Uma só mulher dominou minha vida (...) somente a ela eu sempre venerei e amei acima de tudo¨, diz Schumann.

Schumann batizou uma de suas sinfonias de Sinfonia Clara, no intuito de refletir sua alegria durante o primeiro ano de casamento.

Com o nascimento do primeiro filho, Schumann, reconcilia-se com o Professor Wieck e sua vida assume os contornos de uma existência normal. Mas nem tudo vai bem. Como compositor, Schumann não granjeia a fama que lhe é devida. Várias vezesviu o nome de Clara maior do que o seu sendo por vezessendo chamado de ¨o marido da pianista¨.

O amor, a admiração, a cumplicidade faz com que Clara coloque-se em segundo plano abdicando de suas próprias composições divulgando as obras do marido pela Europa. Clara gostava das turnês. Mas, Schumann as odiava, pois argumentava que precisava de silêncio para compor. Na convivência familiar, a prioridade era dele. Quando estava compondo, a casa ficava em silêncio. As crianças não podiam fazer barulho e Clara somente podia se exercitar ao piano quando ele terminava. Abdicava de sua carreira como compositora para promover a do marido.

Schumann tinha alucinações, crises de depressão e pouco poder de concentração. Suas histórias eram sempre fantásticas, irreais, com “duplos” e “sósias”. Ele mesmo parecia ter duas naturezas conflitantes, uma arrebatadora e vigorosa, a outra calma e meditativa.

Como compositor estava no auge de sua capacidade. Mas, os colapsos mentais começaram a comprometer as suas funções motoras e sua atuação como maestro. Finalmente, após empregos insatisfatórios, Schumann foi escolhido para ser diretor musical de Dusseldorf, em 1850. O casal muda-se para lá com seus cinco filhos. Eles também haviam tido um menino que morreu com um ano de idade e teriam ainda mais dois filhos nessa década.Porém, a partir daí Schumann passa a enfrentar fortes crises de melancolia.Clara, principal intérprete de sua obra pianística, passa a substituir o marido durante os ensaios, provocando reações machistas dos músicos da orquestra, refratários a uma mulher na regência. Mas, ela enfrenta tudo com determinação.

Os problemas de Schumann continuam. Ele mesmo escreve, em seu diário, que teme “perder a razão”. Acreditava que os anjos ofereciam-lhe as mais gloriosas revelações em músicas maravilhosas. Porém, outras vezes, as vozes dos anjos transformavam-se em vozes do demônio, com música horrível. Diziam-lhe que era um pecador e queriam jogá-lo no inferno. Batiza-se¨com três diversas personalidades: Euzébius, o “lirico”, Florestan, o “impetuoso” e Meister Raro, o “mediador”, usando-as como pseudônimos em seus artigos musicais, dentro do espírito do primeiro Romantismo, conhecido como “SturnundDrang” (“Tempestade e Fúria”).

Clara tudo fazia na esperança de sua recuperação. Submeteu-se às suas furiosas e violentas crises depressivas as quais impediam que desenvolvesse seu trabalho. Nessas ocasiões obrigava Clara a conseguir láudano que tem efeito sedativo e analgésico causando-lhe bem estar, sem tratar a causa da doença que segue avançando. Passa, então, a depender do láudano nas suas apresentações orquestrais.
O láudano era muito usado por grávidas causando problemas fetais. Como calmante, era usado por crianças agitadas e por mulheres, em tratamento da histeria e melancolia. A mistura originalmente era composta de vinho branco, açafrão, cravo, canela e ópio. Na era vitoriana podia ser usado, whisky em vez de vinho. A mistura era usada para tratar qualquer tipo de dor ou mal estar. Porém, como o álcool, o ópio provoca maior perda de líquidos e dependência química diminuindo o ritmo cardíaco e da respiração.

Nesse período Clara contou com a ajuda de Brahms que convivia com o casal aproximados que foram pela música e admiração mútua.As alucinações auditivas e as crises de abstinência de láudano não impediram, que Schumann reconhecesse em Johannes¨seu sucessor”.

No filme, a única aproximação física entre Clara e Johannes aconteceu depois que Robert foi internado em um manicômio onde permaneceu por dois anos até a sua morte. Mas a devoção de ambos a Schumann fez que, após acariciar os seios de Clara, ele abdicasse daquele “paraíso proibido” (prometendo-lhe uma fidelidade que, de fato, durou até a morte).

O acirramento dasconstantes crises nervosas de Schumann fez com que Clara tivesse que assumir as responsabilidades familiares. Chegou a vender praticamente todo o mobiliário da casa para sustentar a família.Nesse período contou sempre com o apoio de Brahms fato que sugeria haver um romance entre eles. A amizade entre Clara e Brahams durou até o fim da vida de Clara.

Schumann chegou a tentar o suicídio atirando-se no Rio Reno tendo sido socorrido por pescadores ou barqueiros, pois perdia paulatinamente o contato com a realidade. Em 1853 foi afastado de suas atividades como regente. Com o agravamento de suas perturbações mentais Clara teve que interna-lo no asilo de doentes mentais de Endenich, nos arredores de Bonn a oito horas de carruagem de Dussendorf. Lá permaneceu de março de 1854 a julho de 1856 quando faleceu.

Após catorze anos de casamento Clara ficou sozinha com os filhos, tendo que dar aulas e apresentações para sustentar a família. A partir daí, Clara passou a compor e a dar concertos e sua carreira finalmente se desenvolveu.

A vida de Clara faz pensar que ela foi ¨uma mulher além de seu tempo¨. Não somente por seu talento, força e determinação mas, principalmente, por seu amor à arte musical que está presente até hoje em suas composições e interpretações. Ademais, deu origem a uma escola que tinha como característica o desenvolvimento de uma habilidade com os pedais do piano.

Sua vida, pode-se dizer, constituiu-se em um verdadeiropathos ou path, palavragrega que significa paixão, excesso, catástrofe, passagem, passividade, sofrimento, assujeitamento, sentimento e ligação afetiva.

BIBLIOGRAFIA

Costa Pinto, Manuel da.Robert Schumann. Coleção Mestres da Música Clássica da Folha de São Paulo. São Paulo, 2014.

Iorio, André Luiz. Música e Psicose: A complexa vida e obra de Robert Schumann. Leitura Médica. São Paulo, 2015.

Mussi, Luciana Helena. “Clara Schumann”, uma mulher além de seu tempo.Portal do envelhecimento. Postado no GOOGLE em 20 de maio de 2014.


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