10º Café Lacaniano com Geraldino Alves Ferreira Netto

Dia 23/07/2016 - Na Livraria Cultura Shopping Iguatemi

Atualizado em 08 Março 2017
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Titulo: Café Lacaniano com Geraldino A. Ferreira Netto Dia 23/07/2016 - Na Livraria Cultura Shopping Iguate
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Título: Cultura do estupro


A cultura do estupro será pensada desde seu aparecimento na história da humanidade, nos relatos bíblicos e mitológicos, bem como na história do Brasil. A ênfase principal será dada na reflexão psicanalítica sobre a metapsicologia e os motivos inconscientes que podem levar a esta prática.

Sobre o autor:


Geraldino Alves Ferreira Netto
Psicólogo (CRP 06-0155, subsede de Campinas, S.P.) e psicanalista, professor convidado do Curso de pós-graduação em Semiótica Psicanalítica - Clínica da Cultura, da Puc - São Paulo;
Coordenador do Curso de Especialização (pós-graduação lato sensu) de Formação em Psicanálise, em Campinas, S.P.,
Autor de "Wim Wenders, Psicanálise e Cinema", ed. Unimarco, 2001, e de “Doze Lições sobre Freud e Lacan”, Ed. Pontes, 2010.

Local



Cidade: Campinas - SP
Data: Sábado, 23 de julho/2016
Hora: 10:30h as 12:30h
Local: Auditório Livraria Cultura

Loja: LIVRARIA CULTURA - SHOPPING IGUATEMI CAMPINAS
Avenida Iguatemi, 777 - Piso 1 - Lojas 04 e 05


Duração: 2 horas

Entrada gratuita.

 

 

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Dinara Guimaraes
27 Julho 2016 | 18:07 pm


Olá, Geraldino,
Por coincidência andei refletindo sobre o tema e publiquei nos blogs onde escrevo este texto:
O estrupo no “Paulina”: tensões e ambiguidades

O filme “ Paulina” (no original, “La patota”) , de Santiago Mitre, 2015, Argentina/Brasil/França, propõe uma versão relativizada do estrupo juridicamente entendido como crime sexual hediondo.
Paulina é o nome de tradição religiosa da personagem ficcional central interpretada por Dolores Fonzi. Na volta à sua terra natal situada na fronteira do Paraguai com o Brasil, após abandonar o doutorado de Direito em Buenos Aires, e tornar-se uma professora da escola rural comprometida com a luta pela liberdade e os direitos humanos , ela tem a convicção de que a única maneira de contribuir para a transformação da estrutura social e familiar é seu compromisso com a verdade. Acontece que a dimensão ética desse seu compromisso é colocada em cheque, depois de ser estuprada por um dos componentes da patota de moradores locais. Há então uma reviravolta contestável no filme e passa a prevalecer o oposto.
Paulina, motivada pela lógica do sacrifício feminino, recusa-se a denunciar o estuprador, embora esteja plenamente ciente da natureza sexualmente promíscua e criminosa do estupro como fica claro nas suas discussões com o pai, um juiz de Direito bem conceituado no local protagonizado por Oscar Martinez; além das conversas com a tia substituta de sua mãe ausente e rival, e com a amiga ex-namorada do estuprador com quem ela foi confundida pela patota dos rapazes que, ao assedia-la, exibem sua potência uns para os outros.
Na situação pós-traumática em que se instala, para Pauline, a chance de se sacrificar é em nome daquilo que se torna mais vital: o seu desejo de ter o filho gerado no estrupo. Assim, o assunto da investigação policial dos criminosos, na verdade, funciona como moldura que conduz o espectador para o tema real do filme: o conflito entre o pai, comprometido com a lei e a decisão da filha como uma contribuição à luta pela igualdade social.
A decisão de Paulina corresponde ao que Zizek, citando Kiekegard, chama de suspensão política e religiosa da ética (lembrando que Paulina é uma refilmagem de “La patota”, filme Argentino de 1960, no qual Paulina era de religião católica e como tal, não provocaria o aborto). Surge então uma tensão entre o religioso e o ético que atinge igualmente o pai e a filha, e se mantém viva até o final do filme, por refletir uma outra tensão: a culpa de ceder em seu desejo por força da decisão do outro que, em ultima instância, é do que o sujeito pode ser culpável.

Dinara Machado Guimarães
Autora de livros em Cinema, Psicanálise e literatura
Rio de Janeiro, junho 2016.


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