Doze Lições sobre Freud e Lacan

Geraldino Alves Ferreira Netto - Editora Pontes, Campinas, 2010

Doze lições sobre Freud e Lacan é o resultado de 30 anos de estudo da psicanálise, segundo a orientação destes dois pensadores da mais alta envergadura. O livro pretende alcançar dois objetivos bem definidos: o primeiro é demonstrar que todo o avanço proporcionado por Jacques Lacan, ao inserir na psicanálise os conceitos da linguística, da antropologia, da topologia e da lógica, não provocou nenhum afastamento do pensamento freudiano, mas, pelo contrário, um retorno às suas origens, num momento em que a psicanálise vivia uma crise teórica provocada por uma leitura apressada, superficial e equivocada de algumas escolas.

Desta maneira, a teoria freudiana enriqueceu-se ainda mais, e realimentou a possibilidade de compreensão dos conceitos lacanianos, considerados por muitos como herméticos. Assim, Freud e Lacan iluminam-se mutuamente.

Em segundo lugar, há um cuidado constante de utilizar uma linguagem bastante acessível a qualquer leitor, mesmo os pouco familiarizados com a psicanálise, sem concessão quanto ao rigor e precisão dos conceitos.

A questão da sexualidade feminina, por exemplo, que vem causando tanta polêmica desde Freud, encontra em Lacan um desvio de rota da biologia em direção à cultura, onde o conceito de sexuação se propõe a dividir as pessoas não entre dois sexos, mas entre dois gozos, com base na linguagem e na lógica. Agora é possível entender o que falta à mulher, algo da ordem da cultura e não da biologia.

Ainda na esteira da cultura, o livro aborda as relações da psicanálise com o cinema, especialmente o Cinema Novo Alemão, e com a literatura, através de textos de Sófocles, Shakespeare, Dostoievski e Goethe.

A influência atual de Jacques Lacan no cenário psicanalítico torna proibitivo seu desconhecimento por parte de quem se considere um amante da ciência do inconsciente.

Wim Wenders, Psicanálise e Cinema.

Geraldino Alves Ferreira Netto - Editora Unimarco, São Paulo, 2001

O livro propõe uma leitura psicanalítica da filmografia de Wim Wenders, grande expoente do Cinema Novo Alemão, a partir da década de 70, do século XX.

Depois de uma rápida exposição do fenômeno do Nazismo, responsável pela destruição da identidade nacional e da subjetividade do povo alemão, o livro mostra a tentativa do Cinema Novo Alemão pós-guerra de resgatar a figura paterna da lei conspurcada.

O trabalho de Wim Wenders é então pensado como um processo terapêutico coletivo, à moda do antigo teatro grego, fazendo uma catarse e exorcizando o demônio responsável pela maior catástrofe já vista na história da humanidade.

Em cada uma das três fases de sua produção, na Alemanha, nos Estados Unidos e, novamente, na Alemanha, podemos ver as incidências dos registros lacanianos do Real, Imaginário e Simbólico, sinalizando um caminhar sofrido, mas compensador, de um artista sensível e humano.

Na primeira fase, o destaque é o filme “O medo do goleiro diante do pênalti”; fora da Alemanha, o ponto alto foi “Paris, Texas”; no retorno à pátria, seu filme mais característico, “Asas do desejo”.

“Buena Vista Social Club” já é efeito de sua longa caminhada: a poesia e a música, como transcendência para nossa penosa condição humana.


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